Entre abril e setembro de 2026, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Norte e Sul de Palmas, sob gestão compartilhada entre a Secretaria Municipal de Saúde (Semus) e a Santa Casa de Misericórdia (SCMI), registraram 23.847 atendimentos com médico pediatra. Essa é a primeira vez que as UPAs de Palmas contam com uma ala exclusivamente pediátrica. Antes, o atendimento infantil era realizado de forma conjunta com o de adultos; agora, é conduzido por uma equipe de especialistas em Pediatria.
Em abril, primeiro mês de atuação da gestão compartilhada, foram 4.604 consultas com médico pediatra. Em maio, o volume subiu 44,7% e chegou a 6.662, o maior do período, o equivalente a quase 28% de todos os atendimentos pediátricos entre abril e setembro. Considerando os meses completos, de abril a agosto, a média foi de cerca de 4,8 mil atendimentos pediátricos por mês. Só os três primeiros meses (abril, maio e junho) concentraram 16.676 consultas, quase 70% do total do período.
Especialistas
O investimento da Prefeitura de Palmas em atendimento pediátrico qualificado nas UPAs humaniza o atendimento. Para a médica pediatra da UPA Norte, Thayza Amaral, o fato de ter atenção em uma ala de Pediatria já transformou o atendimento infantil. “Os pais se surpreendem quando chegam aqui e veem o atendimento com especialistas. Eles falam: ‘nossa agora o atendimento é separado?’. Nós temos recebido muitos elogios, o atendimento é rápido”, afirma Thayza.
A médica pediatra da UPA Sul, Karina Novais de Macedo Arraes, explica a importância de ter um especialista atendendo crianças nos serviços de urgência e emergência. “A especialização faz com que o profissional de saúde da criança dê o atendimento necessário em urgências e emergências. A minúcia, a abordagem médica com uma criança é totalmente diferente da abordagem a um adulto”, diz Karina.
Karina aponta que, na urgência pediátrica, tempo, conhecimento e experiência salvam vidas e que ter um pediatra na UPA significa oferecer às crianças atendimento especializado desde o primeiro contato, aumentando as chances de um diagnóstico rápido, de um tratamento adequado e de um desfecho mais favorável. “O pediatra está preparado para reconhecer precocemente situações graves, agir com segurança e, ao mesmo tempo, evitar intervenções e encaminhamentos desnecessários quando o caso pode ser resolvido na própria UPA”, aponta Karina.
A médica destaca ainda que, além do cuidado técnico, existe também o cuidado humano. “Em momentos de urgência, pais e responsáveis chegam fragilizados, apreensivos e, muitas vezes, com medo. O pediatra não cuida apenas da criança; ele acolhe a família, orienta com clareza e transmite a segurança necessária em um dos momentos mais delicados da vida”, destaca a pediatra.
Karina defende que investir em pediatria nas UPAs não é apenas ampliar um serviço. “É fazer uma escolha pela vida, pela prevenção de complicações, pela humanização do atendimento e pela construção de uma saúde pública mais eficiente, resolutiva e digna para toda a sociedade. O Município ganha eficiência, porque reduz internações evitáveis e melhora a resolutividade da rede. Ganha em economia ao utilizar os recursos públicos de forma mais racional”, comenta.