Com a chegada do período de estiagem, que pode durar de quatro a cinco meses com pouca ou nenhuma chuva, as folhas secas se acumulam em quintais, calçadas, ruas, praças e terrenos. Para orientar a população sobre a destinação adequada desse material, a Fundação Municipal de Meio Ambiente (FMA) alerta sobre os riscos da queima e recomenda a compostagem como uma alternativa sustentável.
As folhas secas exercem uma função importante na proteção do solo. Elas reduzem a incidência direta dos raios solares, ajudam a conservar a umidade e diminuem a temperatura da superfície. Quando são retiradas ou queimadas, o solo fica exposto e, com a chegada das primeiras chuvas, pode sofrer compactação e erosão, com o carregamento de argila, matéria orgânica e nutrientes.
Riscos da fumaça
Segundo a FMA, a queima de folhas, grama, arbustos, galhos e troncos libera gases como dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), monóxido de carbono (CO) e óxido nitroso (N2O). A fumaça também contém partículas de fuligem que comprometem a qualidade do ar e podem causar irritação nos olhos e nas vias respiratórias. Quando a queima envolve resíduos sólidos, como plásticos, a emissão de poluentes pode ser ainda mais prejudicial.
Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias estão entre os grupos mais afetados pela fumaça. Além disso, o fogo pode sair de controle e atingir áreas de vegetação seca, imóveis, equipamentos agrícolas, veículos e colocar vidas em risco.
Destinação sustentável
Uma alternativa simples e sustentável é transformar as folhas secas em composto orgânico por meio da compostagem. O processo natural de decomposição da matéria orgânica, realizado por microrganismos e invertebrados, como piolhos-de-cobra, besouros e outros organismos, transforma folhas, cascas de frutas, restos de hortaliças e outros resíduos orgânicos em um material rico em nutrientes, que pode ser utilizado em hortas, jardins, vasos e pomares.
A compostagem pode ser feita em caixas, baldes, tambores ou diretamente no solo, de acordo com o espaço disponível. Para quem mora em locais menores, a compostagem em baldes ou caixas com tampa é uma opção prática e pode ser realizada em áreas cobertas, como lavanderias, sacadas e garagens.
Como fazer a compostagem caseira
1. Escolha o local: dê preferência a um espaço arejado e protegido da chuva excessiva.
2. Monte a composteira: utilize baldes ou caixas com tampa e uma base para coletar o líquido produzido durante o processo. A compostagem também pode ser feita diretamente no solo.
3. Faça camadas: coloque uma camada de material seco, como folhas secas ou palha, seguida por uma camada de resíduos orgânicos, como cascas de frutas e legumes e borra de café.
4. Mantenha a umidade: o material deve permanecer úmido, mas não encharcado.
5. Revire os resíduos: misture o material a cada sete ou dez dias para permitir a entrada de oxigênio e acelerar a decomposição.
A FMA ressalta que existem materiais detalhados sobre compostagem produzidos por instituições de extensão rural, pesquisa e ensino, que podem auxiliar a população na escolha do método mais adequado para cada realidade. Com a compostagem, o que seria descartado pode se transformar em composto orgânico, também conhecido como húmus, um condicionador de solo rico em nutrientes e que pode ser utilizado no cultivo de plantas.