A primeira ida de um bebê ao Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) marca o início de uma nova etapa, repleta de emoções tanto para as crianças quanto para as famílias. Pensando nesse momento tão delicado, as equipes dos Cmeis desenvolvem um período de adaptação cuidadoso, respeitoso e gradativo, priorizando o acolhimento, a segurança e o bem-estar desde os primeiros dias.
Um exemplo vem do Cmei Professora Juscéia Garbelini, localizado no Setor Santo Amaro. Lá, a unidade atende bebês e crianças de zero a cinco anos e 11 meses, em período integral, com jornada diária de dez horas. Justamente por se tratar de um tempo prolongado fora de casa, o processo de adaptação é construído em etapas e em diálogo constante com as famílias, respeitando o ritmo individual de cada criança.
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Conforme a diretora da unidade, Priscila de Freitas Machado, pedagoga, mestre em Educação e professora da rede municipal de ensino de Palmas desde 2014, a adaptação não deve ser vista como um rompimento, mas como a construção de novos vínculos. “É um processo que precisa ser vivido com tranquilidade, confiança e parceria entre família e creche”, acredita.

Primeiro, a especialista explica como funciona a adaptação no Cmei nas primeiras semanas. Segundo ela, em comum acordo com as famílias, o atendimento inicial ocorre em período reduzido, sendo na primeira semana: permanência do bebê até o meio-dia; na segunda semana: atendimento até as 14 horas; e na terceira semana, inicia a jornada integral.
“Nesse período, caso o bebê apresente choro intenso, desconforto ou dificuldade na alimentação, a família é comunicada imediatamente. Os bebês percebem as emoções dos adultos. Quando a família demonstra confiança na equipe escolar, a criança tende a se sentir mais segura. Estabelecer vínculos com os profissionais e conhecer a rotina da creche faz toda a diferença”, revela.

Com ampla experiência na Educação Infantil, Priscila Machado compartilha mais orientações importantes para tornar esse início mais seguro e acolhedor, tanto para os bebês quanto para as famílias. Veja abaixo algumas sugestões.
Objetos de apego ajudam no acolhimento
Itens como naninhas, cobertinhas, pelúcias ou até uma peça de roupa com o cheiro da família funcionam como objetos de transição, oferecendo conforto emocional e ajudando o bebê a se acalmar.
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Rotina também se constrói em casa
Manter horários semelhantes aos da creche para alimentação e sono, inclusive nos finais de semana, contribui para que o bebê reconheça padrões e se adapte com mais facilidade.
Alimentação é uma parceria
A introdução alimentar pode ser um desafio nesse período. Inspirar-se no cardápio da unidade e oferecer alimentos semelhantes em casa ajuda o bebê a aceitar melhor as refeições, sempre respeitando seu tempo e interesse.

Despedidas curtas e afetuosas
Evitar despedidas longas ou carregadas de ansiedade é fundamental. Um beijo, uma palavra de carinho e a certeza de que a família vai voltar transmitem segurança à criança.
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Evite mudanças bruscas simultâneas
Sempre que possível, não associe o início no Cmei a outras grandes mudanças, como desmame ou retirada da fralda. Isso reduz a sobrecarga emocional do bebê.
Observe e compartilhe informações
Relatar à equipe como foi a noite da criança, se está em fase de dentição ou se houve alguma alteração na rotina contribui para um cuidado mais qualificado e sensível.

Respeite o tempo do bebê e o seu
Cada criança reage de uma forma. Algumas se adaptam rapidamente, enquanto outras precisam de mais tempo. Acolher esse ritmo é um gesto de amor e compreensão.