O Carnaval de rua reuniu este ano aproximadamente 5.700 pessoas ao longo de quatro dias de programação no Espaço Cultural José Gomes Sobrinho e no distrito de Taquaruçu. Promovida por coletivos de blocos da Capital, a agenda ocorreu entre os dias 13 e 16 de fevereiro e integrou manifestações culturais diversas e artistas locais.
Para viabilizar o evento, foram investidos R$ 200 mil por meio de emendas parlamentares destinadas pelo mandato do Coletivo Somos e pela deputada estadual Claudia Lelis. A Fundação Cultural de Palmas (FCP) atuou como executora da verba disponibilizada.
A Prefeitura de Palmas garantiu apoio institucional e logístico por meio da Secretaria Extraordinária de Igualdade Racial e Direitos Humanos (Seirdh), da Secretaria de Comunicação (Secom), da Guarda Metropolitana de Palmas (GMP) e de outras secretarias envolvidas na organização e segurança do evento.
Programação
No Centro, o carnaval aconteceu nos dias 13, 14 e 15. A abertura, na sexta-feira, 13, foi marcada pelo I Afroxé da Capital, organizado pelos blocos Ayê Axé e Rede Preta. A programação contou com apresentações dos Congos de Ipueiras, Suça, Capoeira de Angola e Regional, grupo de Hip Hop, cortejo da Mortalha do Afoxé Badauê (Salvador/BA), fundado pelo Mestre Moa, além de toques de Candomblé, Umbanda, Maculelê, roda de samba e show da banda Samba de Santo.
No sábado, 14, e no domingo, 15, o Coletivo Fenty Ampla promoveu o Carnaval de Rua com a participação de cinco blocos, apresentações de DJs, show de Rafa do Piseiro e do grupo Tô Pagodeira.
Em Taquaruçu, a programação ocorreu nos dias 14, 15 e 16, com dez blocos organizados de forma colaborativa. Houve cortejos, apresentações circenses, show da banda “Magoo e o Bando Urtiga” em trio elétrico, além de apresentações de vogue e participação de drag queens na bateria Batuque Livre. Segundo estimativa da Guarda Metropolitana de Palmas (GMP), cerca de 800 pessoas por dia participaram da programação no distrito.
Carnaval é Cultura
O secretário da Seirdh, José Eduardo de Azevedo, destacou a importância do apoio do poder público às iniciativas culturais organizadas pela sociedade civil. “É fundamental reconhecer que o Carnaval de Rua em Palmas é construído pelos coletivos, pelos blocos e pelos movimentos culturais. O papel da gestão municipal é garantir as condições para que essas manifestações aconteçam com segurança, estrutura e respeito à diversidade, fortalecendo a cultura local e assegurando o direito à cidade”, afirmou.
A presidente da Fundação Cultural de Palmas (FCP), Luara Aquino, ressaltou o papel dos fazedores de cultura na consolidação da programação: “O Carnaval de Rua demonstra a potência criativa de Palmas. A Fundação Cultural atua para apoiar essas iniciativas e ampliar o acesso da população às manifestações culturais”.
“É muito importante contar com o apoio do poder público, tanto financeiro quanto estrutural, para que possamos apresentar o que fazemos durante todo o ano. O Carnaval fortalece esse trabalho e evidencia que, além da festa, há muitas pessoas atuando nos bastidores para que a cultura aconteça e para que a cidade construa sua identidade. Nossa expectativa é que o Carnaval se consolide como política pública permanente e seja planejado com antecedência”, pontuou uma das representantes do Coletivo Fenty Ampla, Jaqueline Moraes.
Para Pai Gil, dirigente da Tenda do Caboclo e um dos organizadores do Bloco Ayê Axé, o I Afroxé da Capital teve saldo positivo. “Mesmo com pouco tempo e recursos limitados, conseguimos realizar um evento que reuniu casas de santo, movimentos tradicionais e grupos culturais diversos. Foi um momento de interação entre povos e culturas, reafirmando que o Carnaval é diverso e também pertence aos povos de terreiro, às comunidades tradicionais, quilombolas, indígenas e periféricas”, finalizou.