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Modelo de Farmácia Viva é implantado na comunidade Baixo Tiúba

Modelo de Farmácia Viva é implantado na comunidade Baixo Tiúba

Data da publicação: 08/06/2017


Estudar cientificamente os saberes populares é a proposta da Farmácia Viva, modelo de horta de plantas e ervas medicinais que podem substituir os fármacos usados para tratar diversas doenças. A primeira Farmácia Viva foi plantada pelos participantes do 2º encontro do curso de Formação de Educação Popular em Saúde, nesta quinta-feira, 8, na propriedade Rancho Carro de Boi que fica na comunidade Baixo Tiúba, zona rural da Capital.

 

 

O curso ministrado pelo professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e educador popular, Emmanuel Falcão, é uma realização da Fundação Escola de Saúde Pública de Palmas (Fesp) e faz parte do processo de fortalecimento da rede de Educadores Populares que atuam na rede de saúde de Palmas. Participam do curso os atores do Núcleo de Arte Terapia e Educação Popular em Saúde (Nupops) e comunidade local.


 

A ideia da horta partiu da agente comunitária de saúde rural, Rosa Odete da Costa, que atua no Centro de Saúde da Comunidade Valéria Martins (Arse 122) e também preside o conselho local de saúde. Em seu dia a dia, percorrendo a região, Rosa percebeu que a maioria dos idosos que sofrem de diabetes ou hipertensão não gostam de fazer o uso de medicamento, pois preferem recorrer às plantas medicinais. “Não gostam de tomar medicação, preferem o poder das plantas, mas nas propriedades eles mesmos não plantam, acredito que seja por desestímulo, porque a sociedade hoje rejeita esses saberes”, conta a agente de Saúde.


 

“Então aqui, eu quero que eles plantem comigo e depois vamos levar algumas mudas para plantar com eles nas suas casas. O meu propósito é de acompanhá-los, que todo quintal tenha sua plantinha, pois acredito que se valorizarmos esse conhecimento dos idosos, eles também vão confiar na equipe médica que também é a favor desse saber popular”, complementa Rosa.

 


Morador da região, o minerador Reginaldo Aragão aprovou a iniciativa. “Estamos voltando para a verdadeira medicina. O que existe hoje na indústria vem daqui, só que adicionam muita química. E aqui não, é natural. Eu mesmo conheço muitas plantas que curam e acho importante disseminar esse conhecimento”, ressalta.

 


O professor Emmanuel Falcão defende o retorno aos conhecimentos ancestrais, adotando o uso científico dos saberes populares como política pública. “Hoje as pessoas vão no mercado e compram veneno para comer e beber. Embutidos, enlatados, refrigerantes, alimentos com agrotóxicos. Meu conselho é que todos plantem sua alimentação em casa. A nossa proposta é que se estude cientificamente os saberes populares, de forma a substituir ou até fazer o desmame dos medicamentos da farmacologia capitalista”, ressalta, defendendo que o modelo de horta possa ser desenvolvido em outras unidades de saúde da Capital.

 


Cada um dos participantes fez o compromisso de apadrinhar uma planta e replicar esse plantio em outras localidades. O curso ainda contou com roda de conversa, teatro e música.