#FiqueBemEmCasa: Aproveite o momento para criar uma convivência familiar saudável

Fundação Escola de Saúde Pública

Autor: Redação Fesp | Publicado em 17 de abril de 2020 às 18:01

Compartilhar o mesmo ambiente por 24 horas do dia, durante os sete dias da semana, é o que muitas famílias estão vivendo nesses últimos dias de isolamento social para ajudar a evitar o avanço do novo coronavírus. Como já sabemos que o período requer cautela e que realmente precisamos ficar mais tempo em casa, o #FiqueBemEmCasa desta sexta-feira, 17, traz nesta reportagem dicas e orientações de como aproveitar este momento para criar uma convivência familiar saudável.

 

 

A psicóloga e preceptora da Residência Multiprofissional em Saúde da Família e Comunidade da Fundação Escola de Saúde Pública de Palmas (Fesp), Thaydja Rhalline Lopes Campos, observa que neste período de distanciamento e isolamento social é importante a construção de uma rotina e a organização das atividades ao longo da semana. Isso pode ser pensado e elaborado junto com as crianças a depender da faixa etária.

 

 

Thaydja relata que a alteração da rotina diária e semanal, onde há flexibilização de limites, horários e regras tanto em relação ao sono, comportamentos, uso de tecnologia, alimentação e atividades educacionais, deve ser observada. “A família continua sendo a instituição mais importante, é a responsável primária pela educação das crianças, não podemos nos esquecer disso, papel que muitas vezes é atribuído à escola e aos professores”, cita.

 

 

A especialista lembra que a comunicação é a chave para uma boa convivência. “É um momento formidável para exercitar o carinho, a conversa, perguntar sobre os gostos e preferências dos filhos, escutar as ideias, fantasias, aventuras imaginativas”, destaca.

 

 

Thaydja orienta que pais evitem gritar, xingar, criticar, e dizer frases depreciativas do tipo: "você não faz nada direito"; "não aguento mais você em casa"; "não vejo a hora de você voltar para a escola", entre outras. Também aconselha a evitar castigos físicos como empurrar, bater e outras agressões. Segundo a psicóloga, atitudes assim, geram ansiedade, irritabilidade, agressividade, violência, insegurança, angústia, alterações no sono, alterações no apetite, dificuldades de aprendizagem. “Com esses comportamentos, os pais têm resultados diferentes e contrários aos desejados. Acredita-se (os familiares/responsáveis) que com os comportamentos de punição e agressão vão parar o comportamento, porém o que tem de resultado é um filho aflito, indisciplinado, irritado e agressivo ou triste, inseguro, com medos e ansiedade”, pontua.

 

 

A publicitária Musa Dumont que é mãe do Thomaz Dumont Botelho (9 anos) e Thácio Dumont Botelho (6 anos) descreve alguns sentimentos que ficaram mais aflorados na família neste momento de isolamento. “Passamos a ter uma responsabilidade ainda maior, pois além das tarefas diárias de toda mãe, tivemos que nos reinventar para deixar em dia as demandas do trabalho. Passamos a realizar atividades com os nossos filhos que antes eram atribuídas a outros profissionais, como ensinar as tarefas da escola, fazer o treino do futebol, organizar a rotina da casa, e ainda ter a sabedoria e paciência para entender e mediar cada momento com eles”, relata acrescentando que ela e o esposo estão tentando não se cobrar muito, pois sabem que os dois vêm buscando oferecer o melhor para os filhos.

 

 

Thaydja reforça ainda que a segurança da criança em períodos de isolamento deve ser considerada, não somente a física quanto à emocional. Para a segurança física é importante manter a distância de materiais de higiene e limpeza, medicamentos, cosméticos, venenos. Cuidado com objetos perfuro-cortantes como lâminas, facas, agulhas e outros, cuidado com queimaduras e outros que podem ser pesquisados e esclarecidos com os bombeiros.

 

 

“Sobre a segurança emocional é importante utilizar a linguagem adequada para a faixa etária da criança, há problemas (financeiros, conjugais, sociais, doenças) que as crianças ainda não possuem maturidade neurológica e emocional para lidar e pouco podem fazer para mudar. Evitar colocar medos, ameaçar, chantagear, por exemplo "vou te deixar só"; "vou embora e não volto mais"; "se você não faz isso ou aquilo não vou gostar de você"; "se fizer isso ou aquilo não vou te dar tal ou tal coisa", sugere a especialista destacando os índices crescentes de violência doméstica.

 

 

Seguem abaixo algumas dicas para os pais aproveitarem melhor o tempo com as crianças

 

 

- Leitura de livros, revistas, gibis, catálogos, recortar e colar, rasgar papéis;

- Amassar papéis;

- Fazer bolinhas com papéis e soprar, colocar em garrafas;

- Pinturas diversas com o que tiver disponível;

- Plantar, regar plantas;

- Brincar com os animas de estimação se tiver;

- Brincar com a terra, cavar, fazer bolinho de terra, estradas, fazendinhas, pista para carrinhos;

- Andar de bicicleta, jogar bola, fazer uma bola de meia;

- Dançar, ouvir música, improvisar instrumentos, aprender ou treinar um instrumento, tomar banho de mangueira, tomar banho de sol, tomar banho de lama;

- Fazer atividades físicas como polichinelos, passar a bola, corrida;

- Ajudar nas tarefas de casa como: arrumar o quarto, molhar as plantas, colocar comida para os animais de estimação, auxiliar em outras funções da casa, conforme a idade da criança.