Médicos ginecologistas e obstetras participam de curso sobre implantação do DIU na Capital

Fundação Escola de Saúde Pública

Autor: Redação Semus | Publicado em 23 de abril de 2019 às 17:00

Médicos ginecologistas e obstetras participam de curso sobre implantação do DIU na Capital


Garantir com que a mulher possa inserir o DIU (Dispositivo Intrauterino) ainda na maternidade, logo após o parto ou abortamento, é o foco do Ministério da Saúde através do projeto Apice On que durante toda esta terça-feira, 23, realiza o curso de inserção do DIU para médicos ginecologistas e obstetras de Palmas e região. O curso acontece no auditório do Instituto Vinte de Maio, em Palmas.


As oficinas são ministradas pela chefe da Unidade Materno Infantil do Hospital Universitário de Brasília (HUB), a médica Lizandra Paravidine Sasaki, e pela médica do Hospital Regional de Paranoá (Brasília-DF), Renata de Souza Reis, que abordam os índices de mortalidade materna e infantil e a importância do planejamento familiar para evitar gravidez indesejada e abortos recorrentes.


De acordo com a sanitarista Carine Nied, mediadora do projeto Apice On, desde 2017 o Ministério da Saúde vem atuando junto à área de abrangência do Hospital Maternidade Dona Regina no sentido de capacitar os profissionais de forma a oferecer atenção humanizada às mulheres em situação de violência ou abortamento e planejamento reprodutivo. “Existe uma Portaria do Ministério da Saúde que orienta as maternidades a oferecer o DIU às mulheres e aqui no âmbito do Dona Regina isso não acontece, por isso, essa capacitação junto aos médicos para que ofereçam o DIU às pacientes e que a implantação seja feita no hospital”, ressalta Carine.


Facilitar o acesso


A médica Lizandra Sasaki reforça que a ideia é facilitar o acesso da mulher a esse método contraceptivo, por isso, a recomendação é que o mesmo seja implantado após o parto ou pós-abortamento. “A gente sabe que o DIU é um método eficaz, seguro, de baixo custo e é um método extremamente disponível no Brasil, fornecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde, mas ainda têm muitas barreiras de acesso a essa técnica. Então a proposta do momento de colocação do DIU é porque seria o momento e a hora mais apropriados. É a hora que aquela paciente está no hospital com a equipe de saúde adequada para ela e ela poderia já aproveitar esse momento para trabalhar com seu planejamento familiar”, explica Lizandra.


De acordo com o questionário Nascer Brasil, feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mais de 55% das pacientes entrevistadas no pós-parto declararam que não planejaram a gravidez. “A proposta de colocar o DIU no pós-parto imediato é diminuir essa taxa de gestação não planejada com a oferta de um método seguro e eficaz no momento do parto, e a gente diminuiria muito a taxa das pacientes que não retornam para fazer o seu planejamento familiar após o parto”, destaca Lizandra, reforçando que a abordagem pode ser feita no momento da internação da paciente no hospital, sem necessidade de consentimento familiar, basta à mulher querer aderir ao método.


Pelo Sistema Único de Saúde é ofertado o DIU de cobre que tem durabilidade de dez anos, ou seja, a cada dez anos deve ser trocado. “Mas se a mulher quiser engravidar pode ser retirado a qualquer momento. É um método prontamente reversível, não atrapalha a fertilidade dessa paciente, não tem nenhum risco de diminuir a fertilidade dela a longo prazo”, conclui.


Em Palmas, de acordo com o médico ginecologista e obstetra, Valdir Francisco Odorizzi, são implantados em média 50 DIUs por mês. “Eu considero o DIU um dos melhores métodos anticoncepcionais. No município nós já incentivamos esse método e fazemos implantação com frequência. Inclusive amanhã teremos uma palestra para 45 mulheres e as que desejaram, após a palestra claro, nós vamos inserir o DIU”, informou o médico referindo a ação que será realizada no Centro de Saúde da Arno 44 onde atua.


O projeto Apice On é uma iniciativa do Ministério da Saúde que está presente em 95 hospitais de ensino, entre eles a maternidade Dona Regina, em Palmas, e é executado em parceria com a Fesp e as Secretarias de Saúde de Palmas (Semus) e Secretaria da Saúde do Estado (Sesau).

 


 

Edição e postagem: Lorena Karlla