Movimento que celebra a Luta Antimanicomial reúne dezenas de pessoas na Graciosa

Fundação Escola de Saúde Pública de Palmas

Autor: Elionay Carvalho - estagiária sob supervisão da Diretoria de Jornalismo da Secom | Publicado em 17 de maio de 2024 às 16:04

Temática reforça importância da humanização e o acolhimento dos pacientes; exibição de filme encerrará programação

Nesta sexta-feira, 17, residentes e preceptores da Fundação Escola Pública de Palmas (Fesp), servidores dos Centros de Apoio Psicossocial (Caps II) e Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas (Caps AD III), estagiários da área da Saúde Mental e, em especial, pacientes dos Caps celebraram o movimento de Luta Antimanicomial, cuja data comemorativa é lembrada neste sábado, 18 de maio.  Foram realizadas diversas atividades, como exposição de fotos da reforma psiquiátrica e artigos produzidos no Caps, além de manifestação com grupos de percussão pela Praia da Graciosa. 

 

A psicóloga Betânia Cristina da Luz Pontes, servidora do Caps II, destacou que a programação do Movimento Antimanicomial de Palmas visa lembrar a reforma psiquiátrica. “O objetivo é lembrar sobre a reforma psiquiátrica e que os espaços de Saúde Mental sempre devem adotar práticas humanizadas nos tratamentos e acolhimento adequado de quem procura estes serviços. As pessoas com transtorno mental eram tratadas de forma invasiva, agressiva e criminosa no passado. Ainda precisamos conquistar um enfrentamento das doenças e transtornos mentais com mais dignidade, qualidade e, sobretudo, com liberdade.” 

 

A psicóloga ainda ressaltou a importância da programação desenvolvida para levar mais conhecimento para a população sobre os atendimentos que os Caps oferecem. “Essas atividades programadas e desenvolvidas para esses dias podem auxiliar no conhecimento de que existe um tratamento adequado, que ainda é visto com grande preconceito e distância social. Queremos levar informação e sensibilizar as pessoas a procurarem um tratamento adequado e regido por leis que defendem seus direitos. Tratar com humanização significa atender o usuário dos serviços de saúde de forma integral em todas as suas necessidades para o enfrentamento de crises, dores e sofrimento.”

 

O psicólogo e residente em Saúde Mental da Fesp, Alex de Andrade Moura, destacou a participação dos residentes de Saúde Mental, pacientes e profissionais na elaboração das atividades para o evento. “Penso como uma oportunidade ímpar vivenciar com tanta proximidade como residente de Saúde Mental a construção de um evento como esse, pensar cada detalhe junto com outros residentes, com os usuários, comunidade e profissionais traz mais sentido tanto para a prática profissional como para o que é previsto em lei, o que vem dialogando diretamente com as unidades educacionais que temos no Programa de Residência em Saúde Mental e das atividades de preceptoria nos serviços que nos dão suporte para estarmos mais próximos de um cuidado afetuoso e dos usuários.”

 

Carlos Eduardo Bispo dos Santos é paciente do Caps II desde 2008 e ressalta a importância de participar do evento. “Esse evento de hoje é um marco para todos nós, usuários do Caps. Sempre que um de nós consegue vir, damos apoio a quem participa, pois esse movimento é importante para que tenhamos um atendimento de qualidade e humanizado, que atenda às nossas necessidades. Agradeço muito por ter nos representado como pacientes. Essa união de ajudar todos os pacientes e todos os profissionais é algo incrível para nós. Sentimos como se fôssemos uma família, porque todos os profissionais fazem de tudo para ajudar.”

 

Segundoa a Fesp, foram organizadas programações diversas durante seis dias com os usuários do Caps e a comunidade, para conhecerem o Movimento Antimanicomial e entenderem o porquê dele existir. O encerramento acontecerá na próxima terça-feira, 21, com uma exposição do filme Nise: O coração da loucura, às 19 horas na Universidade Católica. Logo após a exibição do filme, ocorrerá um debate e reflexão. 


Caps

Atualmente existem três Caps em Palmas: o Centro de Apoio Psicossocial II (Caps II), o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas III (Caps AD III) e o Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (Capsi). Nestes espaços são realizados acompanhamentos com profissionais psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais, profissionais de educação física, farmacêuticos e assistentes sociais. São responsáveis pelo atendimento do público com transtornos mentais, público infantil e público usuário de álcool, drogas e outras substâncias.