Palmas 30 anos: Remanescentes da primeira equipe de Saúde da Família contam como foi o processo de consolidação do SUS na Capital

Secretaria da Saúde

Autor: Redação Semus | Publicado em 17 de maio de 2019 às 12:44

Primeira equipe de Saúde da Família de Palmas foi habilitada em 1998 no CSC Liberdade no Jardim Aureny III

Contemplar os avanços obtidos na rede pública de saúde da Capital ao longo desses 30 anos é motivo de satisfação e sentimento de dever cumprido para muitos profissionais que atuam na rede desde o início. Apesar das dificuldades no decorrer dos anos, os serviços de saúde foram se consolidando juntamente com a implantação do Sistema Único de Saúde (SUS), criado na Constituição Federal de 1988.

 

 

Concursos públicos, melhores estruturas e implantação de programas como a Estratégia de Saúde da Família (ESF) contribuíram para melhorar o acesso da população aos serviços. A primeira equipe de Saúde da Família foi habilitada na Capital em 1998 para atuar no Centro de Saúde da Comunidade (CSC) Liberdade, no Jardim Aureny III, que na época já era o bairro mais populoso de Palmas. Era uma equipe só, para atender todo o setor. A segunda equipe também foi implantada na mesma unidade que deu origem a mais dois outros Centros de Saúde - o CSC Laurides Milhomem também no Aureny III e o CSC José Lúcio, no Lago Sul - promovendo assim, uma melhor distribuição dos serviços de saúde para a comunidade.

 

 

“Na época, a integração da equipe era muito boa, mas devido ter muita gente para uma equipe só, era um pouco difícil atender a todos. Era muita gente aqui, não acomodava todo mundo, tanto que as consultas eram nas casas dos pacientes porque aqui dentro não comportava toda população. Dava trabalho, só que era muito gostoso, o médico atendia tanto na casa dos pacientes como em parceria com as igrejas católica e evangélicas, associações, centro espírita, e isso nos ajudava muito. A própria comunidade ajudava, quem tinha um local mais amplo se oferecia”, relata a coordenadora do CSC Liberdade, Maria Bonfim França, que na época era uma das agentes comunitária de saúde da primeira equipe.

 

 

A unidade na época contava apenas com um consultório médico e um consultório odontológico; a sala de espera era uma tenda improvisada no lado de fora. Após as ampliações, o espaço ganhou mais consultórios (dois médicos, dois odontológicos e dois de enfermagem), além das salas administrativas e um Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf) que conta com farmacêutico, nutricionista, profissional de educação física, serviço social, fisioterapeuta, psicólogo. O atendimento dos profissionais do Nasf, que contempla também o público do CSC Laurides Milhomem, é feito de forma descentralizada na Feira Coberta do Aureny III, no Centro de Referência em Assistência Social (CRAS), escolas, entre outros.

 

 

União da comunidade

 

 

O construtor Maurílio Rodrigues Medeiros, 62 anos, chegou a Palmas em 1991, e viu a unidade ser construída. “Em vista do que era na época, hoje está bem mais evoluído. Naquele tempo tudo era mais difícil; não tinha asfalto, tudo era no chão, sem água, sem energia; as ruas, uma sim outra não; eram as irmãs (comunidade católica) que tomavam conta. Hoje está melhor sim, porque nós pelejamos por melhorias. Hoje, a gente é sempre atendido e sempre atende aos chamados de campanhas da saúde”, ressalta, citando o Novembro Azul.

 

 

O técnico em segurança do trabalho, José da Conceição Reis, 59 anos, buscou sempre exercer seu papel de cidadão, reivindicando melhorias ao poder público. Ele foi o primeiro presidente do Conselho Local de Saúde do CSC Liberdade. “Eu, como muitos que estão aqui, chegamos primeiro que qualquer serviço público. Com a organização da comunidade é que os serviços públicos foram vindo aos poucos. Essa unidade juntamente com o Colégio Estadual Liberdade foram os primeiros prédios públicos aqui do setor, construídos em 1992”, lembra.

 

 

Para Reis, a evolução dos serviços de saúde é notória, mas acredita que a comunidade poderia participar mais das decisões que são tomadas na área da saúde, comparecendo aos espaços de debate como as conferências de saúde. “A saúde melhorou bastante. Era para estar melhor se a comunidade não tivesse se acomodado, todos esses serviços, sem exceção, só foram acontecendo devido a uma luta dos moradores daqui. Se a comunidade que é signatária dos serviços do município, tem consciência disso e está junto com o poder público lutando, com certeza os recursos vão ser canalizados para resolver o que é demais urgência para a comunidade”, pontua.

 

 

Papel do agente de saúde

 

 

Também saudosa, a dona de casa Maria das Mercês Ferreira Lima, 52 anos, foi morar no Aureny III em 1991, com o marido e os três filhos pequenos. Ela viu a estrutura dos serviços melhorar, relembra do tempo em que os agentes comunitários de saúde podiam marcar qualquer tipo de consulta. “A saúde era muito precária, praticamente não tinha quase nada, porque estava tudo começando, era tudo muito difícil. Mas com os agentes de saúde melhorou o acesso às consultas no postinho. Os agentes vinham visitar a gente, se a gente precisasse de uma consulta, eles agendavam”, conta.

 

 

Doraci Pinheiro da Cruz, a Dora, era a agente de saúde que atendia Maria das Mercês na época e reconhece que para o usuário era mais cômodo essa função de agendar todas as consultas, mas ressalta que houve mudanças nas atribuições dos profissionais e na própria dinâmica do programa.

 

 

“Nessa época, aqui no Aureny III, eram oito agentes de saúde, e hoje, só aqui no CSC Laurides somos 18. Antes a gente marcava consultas com médicos, mas devido a estrutura muitas consultas eram em outras unidades, no Aureny I ou no IV. Aqui no Liberdade era um apoio, era só o técnico e o agente de saúde e a enfermeira vinha uma vez por mês. Aí em 98 mudou de Programa Agentes Comunitários de Saúde para Saúde da Família e vieram outros profissionais. Uma equipe hoje conta com seis agentes de saúde, um médico, um enfermeiro, um técnico de enfermagem, um dentista e um auxiliar de dentista, e ainda tem os especialistas do Nasf. Então melhorou muito, porque antes era mais dificultoso”, conclui Dora.