Relatos de pessoas que venceram o vício em nicotina marcam abertura do Fórum Antitabagismo

Secretaria da Saúde

Autor: Redação Semus | Publicado em 24 de outubro de 2019 às 15:20

Discussões seguem no período da tarde desta quinta, 24, e durante toda esta sexta, 25, no auditório do TCE, em Palmas


“Quando você dá de cara com sua dependência não é fácil. Eu sempre tive vontade de parar de fumar, o cheiro nunca me agradou. Tentei outras vezes sozinha, ficava seis meses, um ano, dois anos sem fumar e voltava”. Esse é o relato da servidora pública e administradora Jaqueline Bezerra que encontrou no Grupo de Apoio Terapêutico ao Tabagista (GATT) do Centro de Saúde da Comunidade Profª Isabel Auler (Arso 23 / 207 Sul), a força que faltava para vencer à dependência a nicotina.

 

 

Jaqueline participou da mesa redonda de abertura do 1º Fórum para Pactuação do Plano de Prevenção e Controle do Tabagismo e da 1ª Mostra de Experiências dos Grupos de Apoio Terapêutico ao Tabagista. Eventos que acontecem nesta quinta e sexta, 24 e 25, no auditório do Tribunal de Contas do Estado (TCE), realizados pela Secretaria Municipal de Saúde de Palmas (Semus), por meio da Coordenação Técnica de Doenças e Agravos não Transmissíveis (CTDANT), com o apoio da Fundação Escola de Saúde Pública de Palmas (Fesp), do TCE e do Serviço Social da Indústria (Sesi).

 

 

A mesa redonda intermediada pela psicóloga Kathy Menten, também contou com o relato da geógrafa Maria Oldina Nunes que participa do GATT do CSC Valéria Martins (Arse 122 / 1206 Sul). Ela decidiu parar de fumar depois que acompanhou o sofrimento da mãe que faleceu em decorrência de um enfisema pulmonar causado por anos de dependência à nicotina. “Antes eu tinha muita resistência em participar de outros grupos, sempre preferi continuar fumando. Só depois que a minha mãe faleceu é que entendi que precisava parar”, disse a professora, que deixou de fumar em fevereiro deste ano, mas em virtude de mais perdas na família, acabou recorrendo ao cigarro para aliviar a dor. “Fiquei 36 dias sem fumar e tive recaída. Agora estou no grupo novamente porque conheço o trabalho, sei que funciona e que vale a pena. A equipe veste a camisa nunca mede as consequências para nos ajudar”, relatou.

 

 

Esse apoio dado no grupo terapêutico é também destacado por Jaqueline. “Eu senti gente tratando de gente. A maneira que eles lidam com a sua dificuldade de parar de fumar comove e nos impulsiona. Gostaria que fosse mais de três meses de tratamento porque o benefício é muito grande. A qualidade de vida é imensurável. Aconchego e acolhimento são incríveis”, diz a administradora, que sempre que pode acompanha as reunião de grupos novos. “O trabalho deveria ser contínuo. Eu tenho vontade de fumar, mas eu lembro do trabalho que fizeram por mim para que eu continuasse em abstinência. O remédio é importante, mas o apoio psicológico e acolhimento são fundamentais para conseguirmos”, finalizou emocionada.

 

 

Problema de Saúde Pública

 

 

A fonoaudióloga e coordenadora do Programa Municipal de Controle do Tabagismo, Andreza Domingos, destacou que o tabagismo é um problema de saúde pública e fator de risco para mais de 50 tipos diferentes de doenças. “É uma doença que causa outras doenças. As propagandas mostram pessoas jovens, bonitas e felizes, mas a realidade do cigarro é triste. Há 25 milhões de fumantes no Brasil, e pesquisas mostram que 80% querem deixar de fumar”, destacou.

 

 

Andreza fez uma explanação de como começou o trabalho de enfrentamento ao tabagismo na Capital até chegar aos GATTs e falou do objetivo do Fórum que é mostrar que o trabalho vem dando resultado e pactuar ações que sejam colocadas em prática, aumentando o número de grupos de apoio para ajudar mais dependentes a vencer a dependência a nicotina. “Quanto mais dependente da nicotina ele for, mais dificuldades vai ter em parar de fumar. Um indivíduo que fumou 30 anos, que tem toda uma rotina adaptada ao tabaco, tem que refazer o caminho da não dependência, e isso não é de uma hora para outra. É aí que nós, profissionais da saúde, entramos para ajudar no apoio terapêutico, cognitivo comportamental e medicação, que não é barata, mas é gratuito pelo Sistema Único de Saúde”, concluiu.

 

 

As discussões seguem no período da tarde desta quinta, 24, e durante toda esta sexta, 25, no auditório do TCE, em Palmas.

 

 

Confira a programação

 

 

24/10 - Quinta-feira

 

14 horas - Vídeo para sensibilização

14h30 - Apresentação do Programa Nacional de Controle do Tabagismo

15 horas - Apresentação do Plano Municipal de Prevenção e Controle do Tabagismo

15h30 - Pactuação dos eixos para o Plano Municipal de Prevenção e Controle do Tabagismo de Palmas

 

Eixo 1: Ações de Educação, Comunicação e Informação

 

16h30 - Intervalo

16h50 - Eixo 2: Prevenção da morbimortalidade causadas pelo uso do tabaco

 

 

25/10 - Sexta-feira

 

8h30 - Estratégias da indústria do cigarro

9h30 - Pactuação dos eixos para o Plano Municipal de Prevenção e Controle do Tabagismo de Palmas

 

Eixo 3: Atenção Integral à Saúde do Indivíduo Tabagista

 

10h30 - Intervalo

10h50 - Eixo 4: Monitoramento, Vigilância e Pesquisa

11h50 - Perguntas e encerramento

14h15 - Oficinas específicas para os profissionais dos GATT:

 

Como trabalhar grupos (Metodologia, educação popular em saúde)

 

15h45 - Intervalo

16 horas - Malefícios dos diversos tipos de fumo e estratégias da indústria do cigarro

17h30 – Encerramento