Menu
Redes sociais

Profissionais e sociedade debatem os desafios para a saúde e acolhimento de transexuais no SUS

As discussões aconteceram durante o 4º Encontro do Fórum Permanente de Saúde Mental

Profissionais e sociedade debatem os desafios para a saúde e acolhimento de transexuais no SUS

Data da publicação: 04/04/2018


O estudante de enfermagem Felipe Pinheiro está em processo de transexualização e diz que enfrenta muitas dificuldades e falta de amparo por parte do sistema de saúde em geral, tanto público quanto privado. Ainda com aparência masculina, utiliza hormônios há algum tempo e relata que faz por conta própria porque não encontra informações necessárias entre os profissionais da saúde em Palmas. “Acho que este evento é uma grande oportunidade de discutir as necessidades e o tema da transexualidade”, afirmou.

 

O relato do jovem Felipe demonstra o quão urgente e importante se torna o debate e a criação de políticas públicas voltadas para a população transexual. Esse é objetivo do 4º Fórum Permanente de Saúde Mental, promovido pela Secretaria Municipal de Saúde. O evento ocorreu na tarde da última terça-feira, 03, no auditório do Centro Universitário Luterano de Palmas (Ceulp/Ulbra). A gerente de Saúde Mental da Semus, Dhieine Caminski, destacou que a questão não é só discutir o acolhimento na saúde, mas na sociedade como um todo, derrubando os preconceitos e estigmas sociais sofridos pelas pessoas trans. “O acolhimento deve se dá também na perspectiva profissional e do trabalho para que os transexuais tenham oportunidades no mercado de trabalho e deixem de ser vistos apenas no âmbito da prostituição”, frisou Dhieine.

 

Alunos de diversos cursos ligados à área de saúde estiveram presentes no evento, entre eles acadêmicos de Psicologia, Enfermagem, Educação Física e Serviço Social. Além disso, participaram também agentes comunitários de saúde de Palmas. Os condutores do debate foram representantes do Ministério da Saúde, da Semus e membros da Associação de Travestis e Transexuais do Estado do Tocantins (Atrato).

 

O presidente da União Nacional LGBT e gestor de Políticas Públicas do Ministério da Saúde, Andrey Lemos, relembrou as origens do preconceito, da violência e da exclusão sofridos pelas mulheres, negros, transexuais e outras minorias. “Somos fruto de uma sociedade patriarcal e machista, na qual as melhores posições sempre foram privilégio dos homens. Culturalmente isso se reflete hoje, na exclusão que as populações trans sofrem, por romperem com costumes conservadores”, relembrou.

 

Muitos casos de depressão, doenças psicossomáticas e até o suicídio podem ter como origem a exclusão sofrida pelas populações trans. Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e mencionada no Fórum, demonstra que 46% das pessoas transexuais já tiveram ideias suicidas. “Todos buscam ser felizes. Se a pessoa não tem perspectiva de ser feliz, rejeitada pela família, que é a coisa mais preciosa que temos, para quê continuar vivendo?”, reflete e questiona Andrey Lemos.

 

Os desafios são muitos para que a sociedade, as famílias e o sistema público de saúde consigam efetivamente acolher a população transexual. O SUS tem algumas diretrizes já estabelecidas, como a instituição, da portaria 1820/09, que garante o uso do nome social no cartão do SUS para os trans. Há também a portaria 2803/13, que visa redefinir e ampliar o processo de transexualização no SUS. 


Para o titular da Semus, Nésio Fernandes, este é um processo dos trabalhadores do SUS que precisam encabeçar esta luta. “A saúde precisa se mobilizar e se posicionar para conseguir os avanços necessários à população trans. O SUS é um espaço de construção de cidadania e não apenas de saúde", concluiu. 

 



(Edição e postagem: Iara Cruz)