
Unidades de saúde intensificam ações de cuidado, prevenção e diagnóstico da hanseníase
Palmas possui um cenário de alta ocorrência da doença, com taxas elevadas de detecção de casos novos nos últimos anos
Ao longo de todo o ano, as Unidades de Saúde da Família (USFs) de Palmas realizam atendimentos voltados ao cuidado com a hanseníase, incluindo diagnóstico, tratamento e acompanhamento contínuo dos casos. No mês de janeiro, em alusão à campanha Janeiro Roxo, essas ações são intensificadas com o objetivo de reforçar a importância do diagnóstico precoce e da adesão ao tratamento, fundamentais para a interrupção da cadeia de transmissão da doença.
As atividades desenvolvidas pelas equipes de saúde incluem ações educativas, busca ativa de casos, avaliação de contatos domiciliares e orientações voltadas à prevenção de incapacidades físicas, especialmente nos territórios com maior vulnerabilidade. A mobilização ocorre em consonância com o Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase, celebrado no último domingo de janeiro, conforme estabelece a legislação federal.
O enfermeiro coordenador da área técnica de Hanseníase e Tuberculose da Secretaria Municipal da Saúde (Semus), Bethoven Marinho da Silva, destaca que um dos principais desafios enfrentados no enfrentamento da doença está relacionado à continuidade do tratamento. “Mesmo após o início da terapia, ainda observamos casos de interrupção do acompanhamento, especialmente entre pacientes que apresentam redução ou ausência de sintomas. A interrupção do tratamento pode comprometer a resposta clínica e favorecer o surgimento de complicações”, explica.
Desafios do tratamento
Segundo o coordenador, a evasão do tratamento também tem impacto direto na saúde coletiva. “A hanseníase possui transmissão lenta, mas o contato próximo e prolongado, especialmente no ambiente domiciliar, aumenta o risco de adoecimento. Por isso, o acompanhamento dos contatos e a conclusão adequada do tratamento são medidas essenciais para proteger o paciente e o núcleo familiar”, reforça Bethoven.
Em Palmas, dados recentes dos boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde indicam um cenário de hiperendemicidade da hanseníase, com taxas elevadas de detecção de casos novos nos últimos anos. Diante desse contexto, a Semus mobilizou todas as USFs para a realização de, no mínimo, três ações durante o mês de janeiro, envolvendo educação em saúde, avaliação clínica, apoio psicossocial e fortalecimento do cuidado integral às pessoas em tratamento.
Programação Janeiro Roxo
As atividades do Janeiro Roxo 2026 ocorrem entre os dias 12 e 31 de janeiro e envolvem, além das ações nas unidades, iniciativas em espaços comunitários, áreas rurais e locais de grande circulação, ampliando o acesso da população à informação e aos serviços de saúde. A unidade Prof. Isabel Auler (Arso 23 – 207 Sul) foi uma delas, na última quinta-feira, 15, sensibilizou a população com orientações e distribuição de materiais informativos sobre a doença na praça da Arso 22 (205 Sul).
Programação
17 de janeiro | das 8 às 18 horas – USF Bela Vista (com participação das unidades Aureny II, Santa Fé, Santa Bárbara, José Hermes e Morada do Sol) com avaliação de contatos de casos confirmados;
19 de janeiro | a partir das 7h30 – USF Deise de Fátima Araújo de Paula (Arse 13 – 108 Sul) com atividades de educação em saúde sobre a doença;
19 de janeiro | a partir das 8h30 – USF Morada do Sol com atividades de educação em saúde sobre a doença abordando as áreas de enfermagem, odontologia, fisioterapia e nutricional;
19 de janeiro | a partir das 14 horas – USF José Luiz Otaviani (Arno 33 – 307 Norte) com aplicação da escala de estigma na população adscrita;
19, 22, 23, 26 e 29 de janeiro | a partir das 14 horas – USF Arne 54 (508 Norte) com atividades de educação em saúde sobre a doença;
21 de janeiro | a partir das 7 horas – USF Arno 44 (409 Norte) com atividades de educação em saúde sobre a doença e intensificação de consultas;
23 de janeiro | a partir das 12h45 – USF Francisco Júnior (Arso 41 – 403 Sul) com atividades de educação em saúde sobre a doença;
26 de janeiro | a partir das 14 horas – USF José Luiz Otaviani (Arno 33 – 307 Norte) com atividades de educação em saúde sobre a doença;
27 de janeiro | a partir das 7h30 – USF Giancarlo de Montemor Quagliarello (Arno 71 – 603 Norte) com atividades de educação em saúde com roda de conversa e consultas odontológicas;
27 de janeiro | a partir das 9h30 – USF Loiane Moreno Vieira (Arse 24 – 210 Sul) com atividades de educação em saúde; ações psicossociais com profissionais de psicologia e serviço social voltadas à orientação e condução de casos de difícil manejo, com foco no enfrentamento do estigma e do preconceito relacionados à hanseníase e ações de apoio nutricional, com orientações durante o tratamento da hanseníase;
27 de janeiro | a partir das 10 horas – USF Santa Bárbara com atividades de educação em saúde; dinâmicas de mitos e verdades sobre a doença, busca ativa de pacientes e consultas para avaliação darmatoneurológica;
28 de janeiro | a partir das 8 horas – USF Novo Horizonte (Jardim Aureny IV) com atividades de educação em saúde;
28 de janeiro | a partir das 17 horas – USF Sarah Leylâne da Silva Sousa (Arno 61 – 503 Norte) com atividades de educação em saúde na Feira Coberta da Arno 61 com abordagem individual com feirantes e população;
29 de janeiro | a partir das 8 horas – USF Arno 42 (405 Norte) com atividades de educação em saúde com roda de conversa, avaliação de casos e consultas odontológicas;
29 de janeiro | Dia todo – USF Walterly Wagner José Ribeiro Souza (Taquaruçu Grande) com palestras, roda de conversa, avaliação neurológica e atendimento médico e enfermagem;
31 de janeiro | a partir das 8 horas – USF Arne 53 (406 Norte) com visitas domiciliares para conscientização da doença e distribuição de materiais informativos.
Texto: Rodrigo Marques
Edição: Fernanda Sousa


