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Centro de Referência da Mulher Flor de Lis mantém políticas públicas de apoio e combate à violência contra mulher

Dados do Judiciário mostram que números aumentaram durante a pandemia da Covid-19

Centro de Referência da Mulher Flor de Lis mantém políticas públicas de apoio e combate à violência contra mulher

Data da publicação: 28/04/2020


Jornais e imprensa oficial de todo o País tem divulgado nas últimas semanas que o número de violência contra a mulher aumentou após o período de isolamento social. Na Capital esses números também cresceram nos últimos meses, segundo dados levantados na Vara Especializada no Combate à Violência Doméstica e familiar contra a Mulher (VVD) e no Sistema de Processo Eletrônico do Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins (e-Proc-TJ-TO).



De acordo com os dados repassados a esta Secretaria Municipal de Comunicação (Secom), a maioria dos casos se refere à violência física, psicológica e sexual. Considerando o comparativo realizado nos primeiros quatro meses dos anos de 2019 e 2020 em Palmas temos: No ano de 2019, em janeiro foram 90 casos, fevereiro, 76, março, 69 e em abril, 94.

 

 

Em 2020 houve um crescimento mês a mês. Janeiro 95, fevereiro 96, março 90 e abril até o último dia 23, 51 casos autuados. Considerando que o isolamento social na Capital iniciou no mês de março, houve um aumento de 30,43%.


 

Pelos indicadores registrados pela Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE-TO) somente em março de 2020, 105 atendimentos a mulheres vítimas de algum tipo de violência doméstica foram realizados, o que sugere uma média de 3,3 atendimentos por dia específico ao caso.

  

 

Nesse período apurado pela DPE-TO, 39 mulheres solicitaram medidas protetivas por intermédio da Defensoria, sendo sete casos considerados urgência e relacionados à Lei Maria da Penha (11.340/2006), que estabelece que todo o caso de violência doméstica e intrafamiliar é crime. Os números de abril serão contabilizados apenas no final do mês.

  

 

Denúncias

  

 

Segundo investigadores e especialistas da área de combate à violência contra a mulher das Delegacias da Mulher de Palmas, mesmo prevendo um aumento desses números durante esse período, verificou-se que em algumas cidades ou delegacias esses números caíram. No entanto, esses profissionais atribuem essa queda a dificuldade que as mulheres têm encontrado para denunciar, uma vez que os agressores têm passado mais tempo ao lado das vítimas.

  

 

Por isso, os investigadores orientam que mesmo diante das dificuldades, as vítimas peçam ajuda, por meio de amigos ou parentes, pessoalmente ou por mensagens para que outras pessoas liguem para o 180, uma vez que a denúncia pode ser realizada por qualquer pessoa, não somente pela agredida.

 

 

Cabe lembrar que além do 180, as mulheres também podem procurar a Defensoria Pública Estadual (DPE-TO), Ministério Público Estadual, Delegacia Especializada em Defesa da Mulher (DEAM), e nos casos de urgência ligar para o 190, número da Polícia Militar.

  

 

Flor de Lis

 

 

Em Palmas, além da justiça comum, as mulheres que sofrem agressão podem procurar o Centro de Referência da Mulher Flor de Lis, localizado na Avenida Palmas Brasil, ou pelo número 3212-7246. Segundo a assistente Social do  Flor de Lis, Valda Guimarães, o centro é uma estrutura essencial do programa de enfrentamento de violência contra a mulher.

  

 

“Trabalhamos quatro elementos essenciais para conseguir romper com ciclo de violência em que a mulher é submetida, prevenção, proteção, promoção e responsabilização”, disse, ressaltando que todas recebem um atendimento de orientação e encaminhamento a profissionais de serviço social, psicólogo e jurídico, alimentando mecanismos para o resgate da autoestima, da cidadania e emancipação, rompendo com o estado de vulnerabilidade dessa mulher.

 

  

“Temos também a Casa Abrigo da Mulher que acolhe as mulheres com risco iminente de morte, um espaço bastante sigiloso, que consegue proteger mulheres em situação de violência”, concluiu. Tanto o Centro de Referência da Mulher Flor de Lis quanto à Casa Abrigo da Mulher são equipamentos públicos municipais mantidos pela Prefeitura de Palmas, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social.

 

  

Nacional

  

 

No Brasil grandes jornais têm divulgado dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Organização das Nações Unidas (ONU) que demonstram que esses números também cresceram, inclusive com relação ao feminicídio. Comparando março de 2019 para março de 2020. No estado do Mato Grosso saltou de dois para 10 casos, aumento de 400%. Em São Paulo, o aumento foi de 42,2%, subindo de 13 para 19. No estado do Pará, nos primeiros três meses deste ano, aumentou em 185% o número de assassinatos de mulheres, apenas pela condição de serem mulheres.

 

 

CNJ

 


 

A Agência Brasil divulgou na última semana que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) criou um grupo de trabalho para elaborar sugestões de medidas emergenciais para prevenir a violência doméstica. Essa medida foi tomada após a confirmação do aumento dos casos registrados contra a mulher durante o isolamento social, em razão da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). O grupo tem prazo de 60 dias para apresentar a conclusão dos trabalhos.