O que começou com uma dificuldade de comunicação se transformou em uma iniciativa de cuidado, empatia e inclusão no Cmei Professora Juscéia Garbelini, em Palmas. Durante a Semana da Diversidade e Inclusão, a unidade lançou, nesta quarta-feira, 19, o projeto “Todo Mundo Tem Voz: Musicalização, Libras e Inclusão”, que levará a Língua Brasileira de Sinais (Libras) para o cotidiano de crianças, profissionais e famílias.
A iniciativa surgiu após a matrícula de Samuel, uma criança surda do Berçário I. Conforme a diretora Priscila Machado, a chegada da família revelou que a equipe ainda não estava preparada para estabelecer uma comunicação adequada.
“Quando a família chegou para fazer a matrícula, nós nos deparamos com uma situação para a qual não estávamos preparados. Não sabíamos nem por onde começar para oferecer um atendimento humanizado. Aquilo começou a nos incomodar e entendemos que precisávamos fazer alguma coisa”, relata.
A mudança começou a ganhar forma com o apoio da professora Maria Marilane, que possui formação em Libras e atua como intérprete, tornando-se uma referência para a equipe na construção das primeiras ações do projeto.
A partir daí, a escola decidiu ir além do atendimento individual. A proposta é preparar toda a comunidade escolar para conviver e se comunicar com pessoas surdas. A unidade pretende, inclusive, oferecer formação básica em Libras para professores, monitores, merendeiras, equipe administrativa e demais servidores.
Crianças também levam inclusão para casa
A iniciativa já começa a produzir reflexos entre as famílias. Priscila explica que as crianças que participam das atividades passaram a reproduzir os sinais em casa, envolvendo pais e responsáveis no aprendizado.
“As famílias estão sendo sensibilizadas pelas próprias crianças. Temos recebido retornos de pais contando que os filhos chegam em casa fazendo sinais. Esse movimento é muito importante”, destaca Priscila.
A oficina conta com a participação dos educadores Rafael Ferreira, integrante da comunidade surda, e de Marianna Lima, intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Para Rafael, ensinar Libras às crianças também representa uma oportunidade de troca e inclusão. “Estou muito feliz e realizado. Quero ensinar para que elas consigam aprender, porque essa comunicação é muito importante”, afirma.
Libras desde os primeiros anos
Marianna explica que o contato com Libras desde os primeiros anos pode facilitar a trajetória escolar da criança surda. “É muito importante, desde pequenininho, ele já ir aprendendo os sinais junto com o português. Quando chegar ao ensino fundamental, já terá esse contato e será muito mais fácil adquirir o conhecimento”, afirma.
Com atividades de Libras, música, histórias, brincadeiras e expressão corporal, o projeto será desenvolvido durante o segundo semestre. A proposta é que a experiência deixe um legado para além de Samuel, com um ambiente mais preparado para acolher, compreender e incluir todas as crianças.



