O cuidado que começa com uma visita domiciliar pode fazer a diferença na vida de quem enfrenta um câncer. Em Palmas, o trabalho dos agentes comunitários de saúde aproxima as famílias das Unidades de Saúde, fortalece as orientações preventivas e contribui para o acompanhamento de pacientes durante o tratamento. A história da doméstica Zilma Silva de Sousa, de 41 anos, ilustra a importância desse vínculo.
Zilma é casada e tem três filhas que a apoiam no enfrentamento contra o câncer de mama. Ela recebeu o diagnóstico da doença na mama esquerda em outubro de 2025, após passar três anos sem fazer mamografia. Desde então, o apoio da família e o acompanhamento da equipe da Unidade de Saúde da Família (USF) da Arno 42 (405 Norte) têm sido importantes durante o tratamento. “Foi um choque, demorou a metade do dia para a ficha cair. O meu mundo desabou, não acreditei de imediato, passei tempo pra acreditar. O apoio familiar tem sido muito importante. A quimioterapia foi difícil, fiz seis sessões, a cirurgia de retirada do tumor não retirou a mama e estou fazendo radioterapia”, declarou.
Durante esse período, a agente comunitária de saúde (ACS) Cleonice Azevedo Ferreira, 62 anos, tem mantido contato frequente com a paciente. O acompanhamento começou antes mesmo do diagnóstico, durante as visitas de rotina realizadas na comunidade, e se tornou ainda mais importante com o início do tratamento. “Quando ela não passa aqui, ela liga, às vezes, está fazendo a visita para outras famílias, mas ela passa aqui e pergunta como estou”, afirmou Zilma.
Cleonice, que atua como agente de saúde há 26 anos, conta que faz tudo com amor e muito carinho. “Já conheço a Zilma há muito tempo. Sempre falei pra ela da importância de fazer os exames. Estamos torcendo por ela, a Unidade de Saúde está acompanhando de perto. E estamos também fazendo o papel da Saúde da Família que é a prevenção, orientar sobre as doenças e o autoexame”, declara a agente de Saúde.
Vínculos que fortalecem o cuidado
A superintendente de Atenção Primária da Secretaria Municipal da Saúde (Semus), Adriana Victor, destaca que a Política Nacional de Atenção Básica prevê a construção de vínculos como um de seus princípios fundamentais e diretrizes essenciais para o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS). “É uma relação de confiança e compromisso, construída entre os profissionais de saúde e os usuários, famílias e a comunidade ao longo do tempo. É o agente que vai ver como o paciente em tratamento de câncer está, acompanhando para saber se ele está precisando de um suporte da unidade e se o paciente está tendo alguma reação adversa. Então, se cria um vínculo muito mais forte até pela proximidade e pelas visitas frequentes”, aponta Adriana.
Panorama na Capital
De acordo com o boletim Panorama Epidemiológico do Câncer em Palmas, elaborado pela Semus, o Município registrou 371 casos de câncer de mama entre 2020 e 2025. Em 2026, até o período considerado no levantamento, foram contabilizados 24 casos.
Ao longo da série histórica, os registros mostram que a maioria dos casos ocorreu entre mulheres adultas, principalmente na faixa etária de 40 a 44 anos. Os principais sinais incluem nódulo na mama, alterações na pele com aspecto de casca de laranja, aumento do volume mamário e secreção pelo mamilo.
Em relação ao câncer do colo do útero, Palmas registrou 149 casos entre 2020 e 2025. A doença atingiu mais mulheres de 35 a 49 anos, com destaque para o grupo de 40 a 44 anos. Em 2025, a maior concentração se deslocou para mulheres de 55 a 59 anos. Apesar de ser um dos tipos de câncer mais preveníveis, o câncer do colo do útero segue como problema de saúde pública, reforçando a importância das ações de prevenção, rastreamento e acompanhamento na rede municipal de saúde.
Zilma deixa um apelo a todas as mulheres para que não deixem de cuidar da sua saúde. “O meu não estava no início, me arrependo de ter passado muito tempo sem ir ao médico. É importante, façam os exames preventivos, aconselho a fazer o autoexame”, destaca.
