O gosto pela literatura e estímulo ao pertencimento da identidade terão um olhar diferente com a nova experiência pedagógica que será realizada no Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Juscéia Garbelini, situado no setor Santo Amaro, em Palmas. Nesta sexta-feira, 7, às 9 horas, a unidade lança o Projeto ‘Leitura, Afeto e Pertencimento: fortalecendo identidades étnico-raciais”, uma intervenção que pretende contribuir para que as crianças reconheçam e valorizem suas identidades desde os primeiros anos de vida.
A ideia nasceu a partir de uma inquietação da equipe gestora sobre o quanto as referências presentes no cotidiano escolar representavam, de fato, as crianças atendidas pelo Cmei. A unidade realizou um diagnóstico étnico-racial das crianças matriculadas e constatou que aproximadamente 69% delas pertencem à população negra, considerando a soma das crianças pretas e pardas. “Percebemos que era necessário selecionar livros que valorizassem a diversidade, a identidade, o pertencimento e a ancestralidade. A partir disso, construímos uma curadoria literária específica para a Educação Infantil”, explica a diretora do Cmei, Priscila Machado.
Ajudar a criança a se reconhecer
O projeto atenderá todas as turmas da unidade, do Berçário I ao Pré II, respeitando as especificidades de cada faixa etária. Semanalmente, uma obra selecionada por meio da curadoria será apresentada às crianças, seguida de uma vivência relacionada à narrativa.
As atividades terão duração aproximada de 10 a 20 minutos e serão planejadas levando em consideração o tempo, as formas de expressão e as características próprias das crianças pequenas. A proposta é fazer da literatura um caminho para conversar sobre identidade, características físicas, ancestralidade, respeito às diferenças e valorização da diversidade de maneira lúdica, afetiva e adequada à primeira infância. Um dos diferenciais do projeto é que as mediações literárias serão conduzidas pela própria diretora.
Mulher preta, Priscila conta que seu próprio processo de reconhecimento racial aconteceu somente na vida adulta. “Por muito tempo da minha vida eu não me reconhecia como mulher preta, eu me autodeclarava parda. Esse processo de reconhecimento da minha identidade racial aconteceu já na vida adulta e me fez compreender o quanto esse reconhecimento não acontece simplesmente de forma natural, ele também precisa ser construído”, relata.
Representatividade
A experiência pessoal da gestora também ajudou a construir um dos pilares do projeto: mostrar que a representatividade precisa estar nas histórias e nas pessoas que fazem parte de sua formação. “Quando uma criança entra na escola e encontra uma mulher preta ocupando um espaço de liderança, conduzindo projetos, contando histórias e sendo também uma referência de cuidado e conhecimento, ela passa a enxergar novas possibilidades sobre quem ela é e quem ela pode ser”, observa Priscila.


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