A emoção de ver os estudantes se tornarem autores de suas próprias histórias motivou a professora de teatro Albetiza Alves de Souza, a Tia Bel, a transformar a Inteligência Artificial (IA) em uma poderosa ferramenta pedagógica na Escola de Tempo Integral (ETI) Margarida Lemos. O que começou com dúvidas se transformou em um projeto inovador que desperta a imaginação, a curiosidade e o protagonismo dos alunos por meio da arte e da tecnologia.
Sabendo que a IA ganha cada vez mais espaço na sociedade, a educadora a integrou à sua metodologia de ensino. Nas aulas de teatro, a tecnologia passou a ser um instrumento de criação artística, permitindo que os estudantes desenvolvam imagens digitais, histórias em quadrinhos, poesias, cordéis, tirinhas e peças teatrais inspiradas em suas vivências.
Desafios e descobertas
A ideia surgiu ao perceber o interesse dos alunos pelas ferramentas de IA. Inicialmente, a professora acreditava que a atividade poderia não funcionar, pois o uso do celular é restrito em sala de aula e muitos utilizavam a tecnologia apenas para entretenimento.
“Quando criei esse trabalho, pensei que não daria certo. Houve até uma certa rejeição no começo. Mas percebi que muitos alunos já utilizavam a Inteligência Artificial e decidi transformar esse interesse em aprendizagem. Passei a ensinar como usar a ferramenta para pesquisar sobre teatro, criar personagens, desenvolver diálogos e construir histórias”, relata Albetiza.
No início, muitos estudantes não sabiam utilizar os recursos disponíveis. Aos poucos, a educadora orientou a elaboração dos comandos, incentivando a criatividade e mostrando como detalhar as ideias para obter os resultados imaginados.
Cultura local e exposição
O envolvimento cresceu rapidamente. Cada turma passou a desenvolver temas diferentes, como aventuras na escola, histórias do Cerrado, lendas regionais, culturas tradicionais e narrativas sobre o fundo do mar. O entusiasmo motivou a organização de uma exposição com os trabalhos produzidos dentro da unidade educacional.
Para a professora, o projeto busca ampliar o acesso aos espaços culturais da cidade. “Queremos levar essa exposição para outros lugares. Muitos estudantes ainda não conhecem espaços importantes da nossa cidade, como teatros e centros culturais. A intenção é que eles conheçam melhor a própria história, a cultura local e os lugares onde vivem”, revela.
Inclusão e resultados
Um dos momentos mais marcantes para Tia Bel foi o envolvimento de estudantes que participavam pouco das atividades. Ela conta que ficou emocionada ao ver alunos superando desafios e apresentando produções surpreendentes.
“Eu chorei quando percebi o quanto eles eram capazes. Alguns alunos que pareciam não estar envolvidos me surpreenderam com trabalhos incríveis. Foi uma experiência que mostrou que todos podem criar quando recebem oportunidade, orientação e incentivo”, avalia.
Além da exposição, o projeto terá continuidade com a produção de um livro para reunir as obras desenvolvidas. As histórias também serão transformadas em cenas teatrais, permitindo que os autores assistam às suas criações no palco.
Protagonismo estudantil
Entre os trabalhos produzidos está o da estudante do 6∘ ano, Karine Ferreira Carvalho, que escolheu pesquisar sobre o Cerrado e sua importância cultural. “Meu trabalho fala sobre o Cerrado, sobre conhecer as nossas raízes e entender de onde vem a nossa cultura. Pesquisei sobre os animais típicos, os povos indígenas, as plantas e os alimentos tradicionais. Foi um momento muito bonito e especial para mim”, conta Karine.
A aluna explica que a IA ajudou na construção das imagens, mas foi necessário aperfeiçoar os comandos. “No começo, o que a IA me entregou era bonito, mas não era exatamente o que eu queria. Então fui acrescentando detalhes, pedindo para incluir elementos da cultura indígena, comidas típicas como pequi, baru, pamonha e também plantas do Cerrado. Quando consegui colocar tudo isso, vi que o trabalho ficou perfeito”, relata.
Para a estudante, a experiência mostrou que a tecnologia depende da orientação humana. “Precisamos dar os comandos certos para que o resultado fique realmente do jeito que imaginamos. A IA ajuda muito, mas é a nossa ideia que faz a diferença”, conclui.
Para a diretora da ETI Margarida Lemos, Margaret Pereira, a proposta da professora foi genial por envolver toda a comunidade escolar. “Nossos corredores estão repletos de pura arte. Os trabalhos dos nossos estudantes estão grandiosos e muito ricos de informações e sentimentos. Ela estimulou a pesquisa e a produção, e as habilidades de cada um surgiram com muita maestria”, observa a gestora, lembrando que novas etapas do projeto virão pela frente.





