Os serviços de saúde mental infantil ofertados pela Secretaria Municipal da Saúde de Palmas (Semus) vão além do manejo clínico tradicional, promovendo um atendimento humanizado e acolhedor dentro dos espaços da rede municipal que acompanham esse público. O cuidado é realizado em serviços como o Ambulatório de Saúde Mental Infantojuvenil, o Centro de Atenção Psicossocial Infantil (CAPSi) e também nas próprias Unidades de Saúde da Família (USFs), que atuam como porta de entrada para os atendimentos da rede.
Entre os pacientes acompanhados está Alice Alves, de 10 anos, que diz possuir diversos hobbies e um interesse especial por teatro e dança. Ela relata que a relação com a psicóloga que a acompanha semanalmente aconteceu de forma natural e acolhedora. “Eu posso contar todas as coisas que acontecem no meu dia, falar do que eu gosto e me sinto mais tranquila quando venho aqui”.
A mãe de Alice, Sandra Alves, de 52 anos, relata que durante a pandemia percebeu que a filha apresentava uma ansiedade relacionada ao aprendizado. Segundo ela, a menina passou a se cobrar muito para aprender a ler ainda aos quatro anos de idade, o que motivou a família a procurar apoio especializado. “Naquele momento eu percebi que ela tinha um pouco de ansiedade e eu queria compreender como poderia passar por isso de uma maneira mais tranquila e menos inquietante”, relembra.
Sandra afirma que, desde o primeiro contato com a rede especializada, sentiu-se acolhida e segura com o atendimento ofertado pelos profissionais. “Foi criada uma conexão muito bonita entre a profissional e a minha filha, e com isso sinto um progresso enorme no controle da ansiedade dela”, comenta.
Acompanhamento terapêutico
A psicóloga do Ambulatório de Saúde Mental Infantojuvenil, Janeide Lima, especialista no atendimento infantil, explica que as consultas acontecem de forma lúdica, muitas vezes utilizando jogos, atividades de percepção e escuta ativa. Segundo ela, a construção do vínculo é uma das partes mais importantes do acompanhamento terapêutico infantil. “Quando a criança cria confiança no ambiente e no profissional, ela consegue se expressar melhor. Esse vínculo dá espaço para que ela fale sobre seus sentimentos e contribui diretamente para uma evolução gradual e positiva no atendimento”, explica.
A Semus oferta atendimento de portas abertas no CAPSi para crianças e adolescentes, além de atendimentos previamente regulados no Ambulatório de Saúde Mental Infantojuvenil. A rede também conta com grupos multiprofissionais nas USFs, que seguem como principal porta de entrada para os serviços ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).